AS TRANSFORMAÇÕES ECONÓMICAS NA EUROPA E NO MUNDO

A Expansão da Revolução Industrial

No decorrer do século XIX inicialmente na Europa, depois espalhando-se pelo mundo, a revolução industrial trouxe o progresso e a inovação. Possibilitada pela ligação entre a ciência e a técnica, que comprova o conhecimento descoberto pela ciência, os novos avanços basearam-se nos conhecimentos anteriores transformando o mundo industrializado.
A industria metalurgica (siderurgia) e química marcaram os sectores de arranque desta revolução, principalmente após a invenção de um conversor capaz de transformar o ferro em aço e a descoberta de novas matérias corantes como o violeta de anilina e a alizarina.
Surgiram como principais fontes de energia a electricidade e o petróleo, os derivados do petróleo tornam-se combustiveis do futuro e a descoberta da electricidade na iluminação doméstica através da lâmpada substituiu o gás e possibilitou a iluminação nocturna, a electricidade foi também importante para a invenção do telegrafo, do telefone, do gravador de som, do rádio e do cinema.

Século XIX

1803 - Robert Fulton desenvolveu uma embarcação a vapor na Grã-Bretanha.
1807 - A iluminacão de rua, a gás, foi instalada em Pall Mall, Londres, na Grã-Bretanha.
1808 - Richard Trevithick expôs a "London Steam Carriage", um modelo de locomotiva a vapor, em Londres, na Grã-Bretanha.
1825 - George Stephenson concluiu uma locomotiva a vapor, e inaugura a primeira ferrovia, entre Darlington e Stockton-on-Tees, na Grã-Bretanha.
1829 - George Stephenson venceu uma corrida de velocidade com a locomotiva "Rocket", na linha Liverpool - Manchester, na Grã-Bretanha.
1830 - A Bélgica e a França iniciaram as respectivas industrializações utilizando como matéria-prima o ferro e como força-motriz o motor a vapor.
1843 - Cyrus Hall McCormick patenteou a segadora mecânica, nos Estados Unidos da América.
1844 - Samuel Morse inaugurou a primeira linha de telégrafo, de Washington a Baltimore, nos Estados Unidos da América.
1856 - Henry Bessemer patenteia um novo processo de produção de aço que aumenta a sua resistência e permite a sua produção em escala verdadeiramente industrial.
1865 - O primeiro cabo telegáfico submarino é estendido através do leito do oceano Atlântico, entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América.
1869 - A abertura do Canal de Suez reduziu a viagem marítima entre a Europa e a Ásia para apenas seis semanas.
1876 - Alexander Graham Bell inventou o telefone nos Estados Unidos da América (em 202 o congresso norte-americano reconheceu postumamente o italiano Antonio Meucci como legítimo invetor do telefone)
1877 - Thomas Alva Edison inventou o fonógrafo nos Estados Unidos da América.
1879 - A iluminação elétrica foi inaugurada em Mento Park, New Jersey, nos Estados Unidos da América.
1885 - Gottlieb Daimler inventou um motor a explosão.
1895 - Guglielmo Marconi inventou a radiotelegrafia na Itália.
 
Os meios de transporte acompanharam o desenvolvimento tecnológico adoptando desde início a máquina a vapor, surge o comboio e consequentemente as construções ferroviárias por todo o mundo, os navios a vapor substituiram os antigos veleiros, verificando-se progressos na navegação a vapor que originaram grandes obras de engenharia como a abertura dos canais de Suez e do Panamá.
A grande novidade, o automóvel, com a criação do motor de explosão que se revelou o mais adequado para este veículo modificou a vida das pessoas, permitindo fazer viagens de longa distância com menos duração de tempo.



Concentração industrial e bancária

As pequenas oficinas cederam lugar às grandes fábricas, grandes espaços ocupados por maquinaria pesada e complexa e por um sem número de trabalhadores que vigiavam os movimenos das máquinas.
A concentração industrial acelerou-se na segunda metade do século, acompanhada da evolução tecnológica que reforça a supremacia da empresa, mais capaz de inovar e assim resistir às crises cíclicas.
Distinguia-se dois tipos de concentração: a vertical - consistiu na integração, numa mesma empresa, de todas as fases de produção, desde a obtenção da matéria prima à venda do produto, foi mais usual na metalurgia; e a horizontal - consistiu numa associação de empresas com o objectivo de evitar a concorrência.

Os bancos adquiriram uma grande importância no crescimento económico do século XIX, pois permitiam a movimentação de enormes somas envolvidas no comércio internacional e tornava possível, graças ao crédito, aa fundação, ampliação e modernização das indústrias.
O sistema bancário registou na segunda metade do século um forte crescimento e uma diminuição do número de instituições, que permitiu uma eficaz centralização das poupanças dispersas para o investimento lucrativo. Os bancos também contribuiam para o desenvolvimento industrial, investindo capitais próprios nas empresas.

A Racionalização do Trabalho





A Geografia da Industrialização

Hegemonia Inglesa

A Inglaterra detém um avanço sobre os restantes países, pois berço da revolução indústrial apresenta uma indústria fortemente mecanizada, permitindo-lhe abastecer o mundo de têxteis, artefactos, metálicos e bens de equipamento, a preços sem concorrência, as suas ferrovias asseguram a circulação interna e detém o primeiro lugar nos circuitos do comércio internacional.
Contudo, apesar do investimento dos empresários ingleses no extenso colonial inglês e nos países da América Latina e da Ásia, a supremacia inglesa esbate-se com a forte concorrência de outros países industrializados.

A dinámica da industrialização propagou-se rapidamente. No decurso do século XIX muitas foram as nações que encetaram a via industrializadora.

A França
Foi a segunda potência a arrancar, o seu arranque industrial foi lento mas constante, pois os recursos naturais eram poucos, mal situados e pobres, o que prejudicava o dinamismo comercial. O país era constituído por muitos territórios agrícolas que formavam um entrave à industrialização. Contudo entre 1901 e 1913, assistiu-se a um grande dinamismo nos sectores da electricidade, do automóvel, do cinema e da construção.

A Alemanha
A principal característica do processo alemão foi o seu dinamismo, priveligiando os sectores do carvão, aço, caminhos de ferro e mais tarde química, construção naval e electricidade.
A unificação dos estados alemães também contribuiu para o sucesso da industrialização, unidos económicamente favoreciam o comércio.
No fim do século a Alemanha constituia já uma forte concorrência aos produtos ingleses.

Os Estados Unidos
O sector de arranque predominante foi o sector têxtil que alimentou as primeiras indústrias favorecidas pela política económica proteccionista.
No entanto o grande dinamizador do crescimento económico foi o sector siderúrgico. Desenvolveram-se os sectores energéticos como a electricidade e o petróleo e a indústria automóvel que estimulou no sector siderúrgico a construção de vias férreas.
Os Estados Unidos tornaram-se a 1ª potência industrial do mundo no fim do século XIX.

O Japão
Foi o único país asíatico que se emancipou. Após o inicio da Era Meiji, as reformas transformaram o país agrícola e atrasado numa nação industrial com largo poder e competitividade. O Estado promoveu a entrada de capitais e técnicos estrangeiros e financiou a criação de novas indústrias, às quais concedeu exclusivos e outros privilégios. Alicerçou-se nos sectores da siderurgia, da construção naval e do têxtil da seda.


A passagem da economia pré indústrial para a economia industrial fez-se em momentos e a ritmos diferentes consoante os países e as condições que cada um apresentava.

A Agudização das diferenças

     Entre 1850 e 1870 a tendência livre cambista dominou a Europa e os EUA, o comércio internacional conheceu um período de forte crescimento.
     No entanto, apesar do libre cambismo ser um meio de obter riqueza e obtenção de lucros provoca um crescimento desigual que afecta os países mais atrasados pois os seus produtos não conseguem concorrer com os produtos das potências coloniais e gera crises cíclicas.
     As crises cíclicas deviam-se a um excesso de investimentos e de produção, criavam muitas falências e retraiam os negócios. Ocorridas de 10 em 10 anos (aproximadamente), no período de crescimento ampliavam-se as indústrias, recorria-se ao crédito e especulava-se a bolsa, com o excesso de podução os stocks acumulavam-se nos armazéns e  os preços baixavam, os salários eram mais baixos e o desemprego era a solução para as fábricas que suspendiam o fabrico de produtos.
Surgiram protestos contra o excesso de liberalismo e no fim do século o proteccionismo dominava novamente o comércio.
     Os transportes foram um elemento essecial para o desenvolvimento do comércio mundial, pois podiam transportar os produtos de forma mais rápida e segura aos locais mais distantes. Favorecida pelo avanço industrial a Inglaterra dominou o enorme fluxo de trocas, seguida da França, Alemanha e EUA.
Estes quatro países eram responsáveis por cerca de metade das trocas realizadas, fornecendo produtos aos países mais atrasados.
A explosão populacional

Entre 1800 e 1914 a população mundial cresceu, falando-se de uma explosão branca. A Europa foi um continente que se destacou, pois o seu crescimento foi rápido e intenso.
Os factores que levaram a este crescimento foi o decréscimo da mortalidade que se deveu à melhor higiene, a nível indivídual com a mudança frequente de vestuário e a nível publico com a construção de esgotos, instalações de abastecimento de água potável e utilização de tijolos nas contruções, melhor alimentação e progressos na medicina, com a difusão da vacina e anestesia.
Estes factores permitiram uma maior esperança de vida, devido ao aumento da taxa de natalidade, permitindo a explosão da população europeia.


Expansão urbana
As cidades cresceram em número, superfície e densidade populacional,  o crescimento natural da população foi o principal motivo, a ele se acrescenta o êxodo rural, pois as tranformações provocadas na agricultura levaram à procura de empregos no sector secundário e terciário nas cidades. A emigração foi outro factor de crescimento das cidades, os imigrantes procuravam nas cidades emprego e promoção.
A cidade era a representação dos abastados, porém não  era capaz de satisfazer as necessidades da população.  A cidade significava a ruptura dos valores das sociedades rurais, não possuiam adequados sistemas sanitários, redes de distribuição de água ou serviços de limpeza das ruas, os bairros populares estavam superpovoados, lá vivia-se a miséria e promiscuidade. As familias numerosas que habitavam compartimentos lúgrubes e insalubres eram afectadas por grandes epidemias e mortalidade infantil, nelas permaneciam os nascimentos ilícitos, divórcios, prostituição, mendicidade, alcoolismo e criminalidade. Para os moralistas a cidade significava a destruição de comportamentos tradicionais e constituia uma ameaça à religião.
Nasceu assim um novo urbanismo. 

O novo urbanismo

O novo urbanismo caracteriza-se pela a construção em extensão e em altura. O centro é o local mais cuidado, para onde convergem as grandes obras de renovação, lá constroem-se grandes edifícios que representam o poder da burguesia. os serviços e o comércio acumulam-se no centro. As contruções são feitas com novos materiais, ferro e vidro, as zonas verdes eram mais arranjadas, a pavimentação era esmerada, abundava água potável, assim como a rede de esgotos, saneamentos e abastecimento do gás.
Existiam grandes praças e avenidas, algumas arborizadas, contudo no fim do século XIX, os centros das cidades já não apresentavam condições para albergar grande parte da população. Surgiram os subúrbios , onde se acumulavam habitações, fábricas e  terrenos vagos, para lá acorriam as populações desalojadas. Era nestes locais onde dominava a pobreza, a miséria e os graves problemas sociais.


Unidade e diversidade da Sociedade Oitocentista

Uma sociedade de classes
     A sociedade de classes baseava-se na mobilidade ascensional, todos tinham os mesmos direitos perante a lei e dispunham do mesmo estatuto jurídico, a diversidade social era constiuída apenas pelo estatuto económinco que gerava diferentes classes. Distinguiam-se assim duas classes: a burguesia e o operariado.
     A alta burguesia era constituida por grandes empresários, directores de companhias ferroviárias e de navegação, negociantes e banqueiros, estes detinham o poder político, pois ocupavam altos cargos administrativos e militares, usufruíam de alguns direitos como evitar as manifestações e greves, controlar as políticas aduaneiras; detinham o poder económico, controlando os os meios de produção e as fontes de riqueza, embora fosse mais dificil nos países menos industrializados e por úlltimo o poder social, influênciando a opinião pública através do ensino, imprensa e lançamento de modas.
     Eram detentores de grandes propriedades, tentando imitar a velha aristocracia, onde construiam castelos e solares opulentos, resguardados dos olhares públicos, aí faziam tertúlias e organizavam caçadas.
Nas cidades as suas moradias eram luxuosas e cómodas, realizavam férias em estâncias de moda, assistiam a corridas de cavalos, recepções e bailes, usufruíam de uma boa escola para os filhos, apreciavam um bom teatro ou cinema. Criaram uma consciência de classes reconhecendo-se como um grupo autónomo que comungava de atitudes e valores específicos. Enalteciam o trabalho, estudo, poupança, moderação e prudência, incutindo nos filhos valores como respeitabilidade, solidariedade e amizade para com os irmãos e familiares.Classificavam o proletariado como uma classe preguiçosa, pois consideravam que o estatuto advinha do esforço e do trabalho de cada um.
Valorizavam a família, conservadora e um suporte indispensável ao dinamismo empresarial.
      A classe média, era a que melhor espelhava a mobilidade ascensional, era constituída por pequenos empresários, profissões liberais como advogados, médicos, farmacêuticos, artistas, profissões comerciais( patrão; transportador; retalhista; lojista), funcionários do correio, militares e professores. Eram socialmente conservadoras, tinham pequenos luxos como uma boa escola para os filhos, uma ida ao teatro ou umas férias na praia. No seio da família desenvolviam-se as virtudes como o gosto pelo trabalho, estudo e sentido de responsabilidade, o culto das aparências. O sentido da ordem, estatuto e das convenções marcaram para sempre as classes medias. Na família afirmava-se o poder do homem, as qualidades domésticas da mulher e a obediência dos filhos. Assim as grandes festas decorriam sempre em família, como matrimónios, aniversários e comunhões.
A condição operária
Propostas Socialistas

Surgiram novas propostas socialistas que tinham como objectivo denunciar os excessos da exploração capitalista, a irradicação da miséria operária e a procura de uma sociedade mais justa e igualitária. As estratégias a implementar eram diferentes: socialismo utópico, socialismo marxista e revisionismo.

Socialismo Utópico
  • Defendido por Pierre Joseph Prodhon, Saint-Simon, Charles Fourier, Louis Blanc e Robert Owen;
  • Recusava a violência e defendia a criação de cooperativas de produção e de consumo ou a entrega dos assuntos do Estado a uma elite de homens esclarecidos que governassem de molde a proporcionarem uma maior justiça social;
  • Defendia a abolição da propriedade privada e do Estado, que classificava como desnecessário;
  • Defendia a criação de associações mútuas;
  • Assim originar-se-ia uma sociedade igualitária segundo o socialismo utópico;
Socialismo Marxista
  • Deteve-se com uma análise rigorosa da história da Humanidade:
  • Concluiu que a história da Humanidade assenta numa sucessão de modos de produção: esclavagismo, feudalismo e capitalismo;
  • A passagem de um modo para o outro deveu-se à luta de classes entre opressores e oprimidos;
  • Explica a luta de classes pelas condições materiais de existência e fez dela o verdadeiro motor da história;
  • Salientou que o salário do operário não corresponde ao valor do seu trabalho, mas apenas ao valor dos bens necessários à sua sobrevivência;
  • Considerava que era necessário o proletariado organizar-se em sindicatos, especialmente em partidos para conquistar o poder político e exercer a ditadura do proletariado;
  • Formar-se-ia assim numa sociedade sem classes;
Revisionismo
  • Defendia o clima de entendimento e colaboração entre partidos operários e os partidos da burguesia;
  • Estado burguês prodigalizou aos operários uma eficaz legislação social;
  • Partidos operários dividiam-se e a Internacional viu-se impotente para liderar o derrube do capitalismo a nível internacional; 
Evolução Democrática, Nacionalismo e Imperialismo


As transformações políticas

Movimentos de unificação nacional